Publicado por: iasdpvai | 15 de dezembro de 2009

O PACTO

Provavelmente você já ouviu alguém falar em Pacto referindo-se a um tipo específico de oferta. Na Bíblia, o significado da palavra Pacto não aparece ligado a um tipo específico de oferta, mas popularmente, o termo acabou sendo utilizado na Igreja Adventista para designar um voto, um compromisso voluntário que alguém faz com Deus de devolver a Ele, além do dizimo, uma certa porcentagem de todas as bênçãos materiais que recebe, e sempre que recebe. E esta porcentagem seria determinada pela medida de gratidão do doador e de sua fé na capacidade do Criador de mantê-lo, pois, como dizia Davi, se “o Senhor é o meu Pastor, nada me faltará”.

Então, já que a palavra não aparece na Bíblia ligada à idéia de um tipo específico de oferta, seria a idéia do Pacto uma invenção da Igreja para conseguir mais recursos, ou o reflexo de um conceito bíblico? Quando aparece na Bíblia, esta palavra geralmente encerra conceitos muito mais amplos, que envolvem uma entrega da pessoa toda (o ‘todo’) a Deus, o que, é lógico, vai acabar incluindo também a entrega dos seus recursos como dízimos ou ofertas (a ‘parte’). No entanto, dentro da Igreja Adventista, com o passar do tempo, na prática o termo acabou sendo utilizado também para indicar um compromisso especial de entregar ao Senhor as ofertas voluntárias, não de qualquer modo, mas de acordo com o sistema divino, ou seja, percentual.

Qual será a vantagem espiritual do Pacto? Para o cristão, a entrega do Pacto (ou seja, das Ofertas Voluntárias), significa privação voluntária e regular de determinada parte dos recursos que poderiam ser utilizados para o próprio sustento. Isto deveria levar a uma experiência de confiança em Deus semelhante à do povo de Israel, que trocou a previsível segurança material das boas comidas do Egito pela aparente insegurança da vida do deserto. Fizeram isto simplesmente porque creram que o Senhor era poderoso para lhes dar coisas muito melhores do que as que tinham já disponíveis. Na verdade, não havia solução logística que pudesse explicar a manutenção daquele povo circunstancias tão adversas como as do deserto, mas mesmo assim creram e saíram do Egito, sem saber exatamente como Deus operaria.

Hoje, através do Pacto, e pela fé, cada um de nós também tem a oportunidade “sair do Egito”, isto é, de desfazer-se da ilusão humana do auto-sustento e esperar diariamente pelo sustento sobrenatural, de cima. Então, decidir fazer um Pacto ou entregar o Pacto é abrir mão da auto-suficiência para experimentar a suficiência do Alto. E ao correr este risco material o cristão cresce em fé e experiência para com Deus, porque descobre que Ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo aquilo que pedimos ou pensamos. E isto nos liga mais às coisas de Cima.

Qualquer oferta serve, e Deus a aceitaria, desde que dada “de coração”? Ou será que o método em si, ou o sistema, faz mesmo tanta diferença?

Ao informar ao povo, através de Malaquias que eles haviam se desviado dos estatutos dos dízimos e das ofertas, Deus não deixa dúvidas sobre a importância que confere ao sistema de ofertar em si: “… vos desviastes dos meus estatutos e não os guardastes; tornai-vos para mim… Em que havemos de tornar?… Nos dízimos e nas ofertas.” Mal. 3:7 e 8 (itálico suprido). Deus havia dado ao povo estatutos muito claros quanto à maneira de ofertar. Ao que o texto parece indicar, o Senhor também considera o método ou sistema de ofertar como sendo de tanta importância quanto a entrega da oferta. E ao convidar o povo para um retorno ao método divino, uma reconsagração mesmo, Ele nos desafia com uma promessa: “Provai-me nisto… se não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós benção tal que vos sobrevenha a maior abastança.” Mal. 3:10.

Apesar de o nome Pacto não aparecer mesmo na Bíblia no sentido que o utilizamos aqui, os conceitos que giram em torno da idéia, isto é, de que a oferta deveria ser percentual (em relação às entradas) estão muito bem fundamentados na Palavra de Deus. Gostaria de partilhar com você dois textos do Novo Testamento, e um do Velho, que fornecem o principal fundamento para esta prática:

1. A oferta deve surgir de uma proposta II Cor. 9:7 – “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade…” (sublinhado suprido). Neste texto descobrimos que nossa contribuição deve acontecer depois que houve uma proposta “no coração”. Esta proposta deve prover a motivação mais profunda que vai orientar a você quanto ao quando e quanto dar. As ofertas não deveriam ser entregues apenas por um impulso do momento ou em virtude de uma necessidade aparente da obra de Deus, como por exemplo a construção de uma igreja ou a fome dos pobres. Se a única motivação para a entrega das ofertas for atender às necessidades conhecidas da Obra de Deus, nossa adoração por meio das ofertas também cessaria quando não soubéssemos de mais projetos missionários. Ao contrário, nossas doações devem acontecer movidas por uma proposta íntima feita a Deus, e não apenas à Igreja, uma instituição ou a um projeto específico. Por isso, o texto sugere que façamos uma proposta ao Senhor. E como deveria ser esta proposta?

2. “… conforme a sua prosperidade…” – I Cor. 16:2 – Há um sistema indicado por Deus, e nele está embutido o conceito de proporcionalidade. Se unirmos este texto (I Cor. 16:2) ao de Deut. 16:17 (“cada um oferecerá na proporção em que possa dar…” ), fica claro que o Senhor espera mesmo que nossa proposta envolva a idéia de proporcionalidade (ou porcentagem). Isto quer dizer que quem recebe dEle uma quantia maior, deve devolver mais, ou seja, quanto maior a prosperidade, maior deveria ser a quantia doada. Por outro lado, quanto menor a prosperidade, menor deveria ser a quantia dada.

É lógico que estamos falando de um programa regular de ofertas. No entanto, eventualmente o Espírito Santo poderá colocar em nosso coração o desejo de entregarmos ao Senhor uma oferta de sacrifício, que esteja além do Pacto ou de nossas reais possibilidades. Mas isso vai acontecer quando houver alguma indicação especial de Sua parte.

No Novo Testamento, ainda temos a experiência de Zaqueu, que ao encontrar-se com Jesus, utilizou o sistema percentual para determinar a sua entrega: “Senhor, resolvo dar aos pobres a metade *50%+ de meus bens”. Falando da viúva pobre, o próprio Jesus também deixa claro que Deus não avalia nossas ofertas pela quantia doada, ou seja, pelo valor monetário, mas pelo percentual que entregamos daquilo que possuímos: “Verdadeiramente vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía, todo o seu sustento”. Ou seja, a viúva, apesar de ter entregado um valor monetário baixíssimo, havia dado o máximo que alguém pode ofertar: 100%!

Vemos através deste relato que no plano do Pacto (ou seja, no plano da oferta voluntária – proporcional) manifesta-se a justiça de Deus, fazendo com que aos Seus olhos, tanto ricos como pobres possam ter as mesmas oportunidades. Desse modo os mais pobres podem dar tanto ou mais que os mais ricos! Assim, neste sistema percentual de contribuições (que também inclui o dízimo), o Senhor não nos pede algo que não tenha dado antes. “Tudo vem de Ti”, disse Davi, “e das Tuas mãos To damos.” I Cron. 29:14.

A diferença entre esta idéia e a do dízimo (que também é uma contribuição percentual – 10%), é que no caso do Pacto, Deus deixa a escolha da porcentagem para o doador, e espera que a medida de gratidão pelas bênçãos seja o fator determinante na escolha do percentual. É por isso que um coração grato e reconhecido a Deus, em lugar de voltar atrás no voto tomado, terá o desejo natural de dilatar a proposta, já que percebe que o Senhor é bondoso, e poderoso para fazer infinitamente mais do pensa ou pede. Mas ainda sugiro a você a começar com uma porcentagem baixa para que durante o processo não só vá conhecendo melhor ao Senhor como adaptando o seu orçamento à nova realidade.

Duração do Pacto – Por quanto tempo deve durar este Pacto? De acordo com Paulo (I Cor. 9:7) é você quem propõe em seu coração. Se você está começando a conhecer melhor ao Senhor e sua capacidade de prover, talvez seja melhor de início fazer uma experiência por apenas dois meses, e depois renová-la por um período maior. Se durante este período você descobrir que Deus é capaz de suprir a todas as suas necessidades, não poderia ser interessante estender este Pacto para toda a vida? (Por outro lado, se Ele não é capaz de manter àquele que segue suas instruções, seria o Senhor um Deus digno de ser adorado?).

O Pacto e o Tempo do Fim – Para o povo de Deus que vive nos últimos dias da história do mundo, a experiência do Pacto deveria tornar-se em um exercício progressivo de fé, que o levará a, por fim, colocar tudo (100%) nas mãos do Senhor. De acordo com a revelação recebida por Ellen G. White, diretamente do Senhor, isto deveria acontecer um pouco antes do fechamento da porta da graça, quando então não será mais possível comprar nem vender.

“Casas e terras serão de nenhuma utilidade para os santos no tempo de angustia, pois terão de fugir diante de turbas enfurecidas, e nesse tempo suas posses não podem ser liberadas para o avançamento da causa da verdade presente. Foi-me mostrado que é a vontade de Deus que os santos se libertem de todo embaraço antes que venha o tempo de angústia, e façam um concerto com Deus mediante sacrifício. … Ele lhes ensinará quando dispor destas coisas….” Administração Eficaz, pág. 59 e 60.

Tudo que tivermos retido até ali, estará perdido para sempre! Tudo que foi investido no Reino de Deus estará depositado no Céu. Neste caso, ainda segundo Ellen G. White, “vossos bens estão muito mais seguros do que se tivessem sido depositados no banco, ou investidos em casas em terrenos. Estão guardados em sacos que não envelhecem. Nenhum ladrão , deles se pode aproximar, fogo algum os pode consumir….” Administração Eficaz, pág. 41. “E isto afirmo”, assegura o Apóstolo, que “aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará… Porque Deus ama a quem dá com alegria.” II Cor. 9:6 e 7.

Afinal, Deus espera mesmo que em nossas ofertas sigamos estas diretrizes, ou nos deixa à vontade para optar cada um pelo plano que lhe parece melhor? Ellen G. White responde dizendo que “esta questão de dar não é deixada ao impulso. Deus nos deu instrução a esse respeito…. E Ele deseja que demos regular e sistematicamente”, ou seja, sempre que recebermos algo dEle, e utilizando o sistema, que é o proporcional. O aspecto proporcional da oferta fica bem claro na continuação do mesmo texto, quando a Serva de Deus diz que “depois de ser o dízimo posto à parte, sejam as dádivas e ofertas proporcionais: ‘segundo a sua prosperidade’.” CSM, 81. (Ênfase suprida). Seguir exatamente às instruções do Senhor sempre será melhor do que fazer as coisas do nosso próprio jeito.

E você, já experimentou este Pacto com Deus? Em oração, diante do Senhor faça-lhe hoje mesmo uma proposta, determinando uma porcentagem, talvez pequena, para começar. Está receoso? Lembre-se de que “o Senhor é sol e escudo; o Senhor dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente. Ó Senhor dos Exércitos, feliz o homem que em ti confia.” Sal. 84:11 e 12.

Marcos Faiock Bomfim

Mordomia Cristã/USB

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